10.05.2016

Comemorando 20 anos de atuação, Edison fala qual o filme que se passa na sua cabeça?

Criativo, inquieto, perspicaz, ousado e talentoso. Essas são algumas características que, profissionalmente falando, a gente poderia atribuir ao publicitário Edison Martins, sócio e fundador da Martpet Comunicação, agência que está comemorando 20 anos de atuação no mercado publicitário de Pernambuco. Em entrevista exclusiva para o Mercado no Ar, Edison falou sobre as comemorações e a trajetória de sucesso da Martpet nas duas últimas décadas. Ao fazer um balanço da agência, uma das mais bem-conceituadas e premiadas do mercado, também contou como foram os primeiros passos da empresa e discorreu sobre os desafios, medo, perseverança, os altos e baixos, além das campanhas e cases de sucesso, e, principalmente, das muitas conquistas.

Saiba mais acompanhando a entrevista:

Seabra Neto – A Martpet está comemorando 20 anos de atuação como agência publicitária em Pernambuco. Qual o filme que se passa na sua cabeça?

Edison Martins – Antes das respostas, uma ressalva: a entrevista tem como tema os 20 anos da Martpet, mas vale lembrar que quem está respondendo é só o Mart. Faltam a Pet, a Ana, o Diego e o Alexandre. E, apesar de estarmos alinhados nos objetivos para o jogo e a vitória – como um time –, não temos, nem temos que ter exatamente o mesmo ponto de vista um do outro, como um goleiro e um ponta esquerda deste mesmo time, ou seja, eu respondo, mas o importante é saber que esta história foi, é e será, construída de forma colaborativa. E que, as respostas aqui contêm tons um pouco mais da minha palheta de cores sobre a história dos 20 anos da agência. Mas, com certeza, todos os martpetianos querem compartilhar com o mercado e com nossos parceiros de jornada. Agora, quanto ao filme… Passam algumas dezenas ou centenas de comerciais feitos e uma série de dramas, romances, suspenses, filmes de horror, humor e, com as mudanças que vivemos, muita, muita ficção cientifica. E vou homenagear a Marpet aqui com um dos meus preferidos, que acho que tem a ver com este sonho em construção: Sociedade dos poetas mortos. Um filme de Peter Weir, que une juventude, utopia, companheirismo, realizações e ensina a viver cada dia com paixão e luta por essa paixão. Para quem se interessar, pode ver a cena do filme, em que o personagem (um adolescente em sala de aula) descobre estimulado pelo professor, sua veia poética. Aí, é só me imaginar na cena há 20 anos, começando este sonho.

Seabra Neto – Qual foi o pior momento e a melhor lembrança durante essa trajetória de duas décadas da agência?

Edison Martins – Nossa! Em 20 anos, a vida de qualquer pessoa passa por muitos altos e baixos, imagine uma agência! Mas cito alguns momentos de apreensão, principalmente, baseados na ousadia de querer fazer diferente: já tivemos processo, ou ameaça de ter, da Gessy Lever (por um filme que simulava um produto deles), da Coca-Cola (por usar uma fonte tipográfica que insinuava a deles), da Chanel (por usar o perfume nº 5 em um anúncio); tomamos algumas decisões de negócios erradas, tomamos “xexos” e algumas rasteiras (essas doem no coração como uma faca) e por aí vai, vai, vai. Na parte dos bons momentos, a lista é, graças a Deus, muito maior. Mas dá para eleger uns, como o primeiro Prêmio Profissionais do Ano – acho que a agência não tinha nem um ano ainda; o primeiro título de Agência do Ano Norte-Nordeste, quando a mesma ainda era uma criancinha; a entrada de cada um dos sócios Ana, Diego e Alexandre como força para a continuidade de um sonho; a minha eleição para a presidência da ABAP–PE (muito, muito, muito obrigado Queiroz e todo o mercado), meu título de Cidadão Pernambucano, que conquistei por proposta do saudoso deputado João Negromonte (esse momento mais pessoal, mas com certeza por frutos e obras da Martpet) e por aí vai, vai, vai.

Seabra Neto – Qual o momento em que a luzinha acendeu e você pensou: “Estamos no caminho certo, não temos mais como recuar e agência vai ter que sobreviver no mercado”? Tipo: ou vai ou racha?

Edison Martins – Essa luzinha fica piscando intermitente desde o primeiro dia. Acende entre o certo ou errado, para ou continua, sim ou não. Todos os dias vivemos conflitos que nos movem entre coragem e medo, decepção e esperança, vacilo e força, raiva e alegria, baques e reenergizações. E pisca assim há 20 anos.

Seabra Neto – No início da implantação da Martpet, e ao longo dos primeiros passos, você sentiu muita diferença entre ser empregado e empregador?

Edison Martins – Não. Minha postura de paixão, entrega e compromisso sempre foi muito semelhante. Seja nas alegrias ou tristezas.

Seabra Neto – Como você se divide, hoje, entre ser criativo, empresário e amigo dentro da Martpet?

Edison Martins – Uso o chapéu de acordo com a necessidade do momento. Mas, na maioria das vezes, os três chapéus estão ao mesmo tempo na cabeça. Não dá para rodar a cadeira e ser outra pessoa. Digamos que gostaria da melhor denominação possível – nesse caso, seria os outros dizerem: “Poxa, aqueles meus amigos empresários são tão criativos!”.

Seabra Neto – Das decisões tomadas até aqui, qual delas você faria de forma diferente, hoje? E o que mudou da Martpet de 1996 para 2016?

Edison Martins – Do fim para o começo, na questão: “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante”. Tudo mudou e tudo muda todos os dias. Não dá para saber como eu faria hoje o que e como fiz ontem, porque o cenário e os atores são outros. Mas, quer uma dúvida pessoal? Eu criei o nome da Martpet entre centenas de opções (adoro opções), Ju (Jussara Freire) gostou e fomos em frente. Ele é bom porque não é comum, tem nosso DNA sem ser literal ou sopa de letras, não teve problemas de registro, mas acho que, se fosse abrir a agência hoje, colocaria outro. Porém, parece que até agora deu certo, concordam? (Risos)

Seabra Neto – Em sua opinião quais os fatos e cases mais relevantes e que marcaram a trajetória da agência nesses 20 anos?

Edison Martins – Para não ficar naquele formato careta e verborrágico tipo power point com bullets e gráficos que só mostram o lado bonito da vida da empresa, resolvi fazer um infográfico com fatos relevantes, alguns tombos e outros fatos pitorescos. Acho que ele ajuda a ver um pouco da nossa história, e envio para você e para seus leitores nos próximos dias, prometo.

Seabra Neto – Vamos lhe cobrar a promessa. E quais são as mudanças e novidades da Martpet para marcar esses 20 anos de sucesso no mercado publicitário?

Edison Martins – Como você verá na prática, será o mesmo ímpeto “mudador” e inovador de sempre. Uma das coisas mais fascinantes que temos no nosso segmento é que estamos inventando todos os dias. Não apenas comerciais, anúncios e ações online, off-line ou PDV, mas estratégias, conceitos, táticas, formatos, histórias, produtos, marcas. E não apenas para os clientes, mas para nós também. Aquele ditado de “casa de ferreiro, espeto de pau” não pode existir dentro de uma agência que quer ser, de fato, relevante para seus clientes, pois a inventividade nos desafia, nos fortalece, nos alimenta. E note que estou usando o termo inventividade, pois muitos ainda ligam a ideia de criatividade ao departamento de Criação e, na verdade, ela é cada dia, cada segundo, mais de todos. Mas, ficando no tema, ganhamos algumas contas como o Hope, nas últimas semanas; a Sael inaugura nos próximos dias uma superloja da BMW, mostrando que o momento é de investir também; estamos estudando novos formatos de atendimento para alguns prospects, para responder às suas necessidades nesses tempos instáveis; acabamos de fazer um sistema de coworking, trazendo para nossa unidade no Ceará uma empresa que vai gerar novos projetos para novos clientes; estamos buscando negócios e parceiros para fortalecer a Seven Quick – nossa empresa digital; e estamos buscando mais. Quem sabe, um dia, uma Martpet carioca? Quem sabe novos núcleos de inventividade reunindo nosso grupo de empresas? Quem sabe? Porque nos nossos planos tem espaço para sonhar também. Quanto à comemoração para marcar os 20 anos de mercado, vale todos curtirem a nossa campanha 99%, que mostra um pouco de quanto somos intensos, envolvidos, entregues às coisas que fazemos. Mas também que somos humanos, falíveis, verdadeiros, imperfeitos. E que é justamente essa busca infinita que usamos para comemorar este momento e nos mover para o amanhã.

Seabra Neto – Como você vê o futuro da Martpet no mercado publicitário e quais são seus planos para agência nos próximos anos?

Edison Martins – Gosto de ser planejador e não cartomante, então, dentro de uma perspectiva que envolve a crise de hoje e as perspectivas e possibilidade do amanhã, desejo o futuro com um mercado de comunicação baseado em novos serviços oferecidos, com novas formas e fontes de remuneração, novos tipos de anunciantes com menores verbas e menores entregas, enfim, novas, renovadas e fortalecidas formas de atender, entregar e receber. Quero acreditar e planejar o futuro da agência – da Martpet e de todas as outras – como um plano que depende de uma readequação de valores. Não estou falando de valor no sentido apenas monetário, mas de percepção que os anunciantes têm que ter. E essa percepção de valor começa em casa.

Seabra Neto – Para encerrar, qual o conselho você daria para os publicitários que sonham em abrir sua própria agência e vencer no mercado da propaganda em Pernambuco?

Edison Martins – Acredito que a cada dia os publicitários (e na verdade todos os profissionais) serão mais sócios do resultado e participação efetiva do seu, no seu, trabalho. Então, para vencer, em empresa própria ou não, comece sabendo o quanto você ama o que faz, o seu talento e o quanto e de que forma quer se entregar e receber. Quer trabalhar muito, tem talento, é bom para gerar resultados efetivos? Ok, vai ganhar bem e até ser chamado para ser sócio ou ganhar novos sócios que vão impulsionar sua empresa. Quer trabalhar menos horas porque acha que agências o exploram demais? Ok. Vai ganhar menos, porque a sua empresa própria ou aquela em que você vai trabalhar vai lhe pagar pelas horas e entrega. Quer ficar fazendo só o papai-mamãe sem o stress estratégico, os desafios de convencer clientes, etc.? Ok. Vai ficar entre os acionistas e recebedores minoritários. Tem talento, luta e vence por ideias, faz o caixa girar mais que os outros e independentemente dos outros? Ok, vai ganhar mais cotas, mais “din-din”, mais voz ativa, fama e glórias. Eu acredito que sugestões (quem sou eu para dar conselhos?) como essas valem para quem está começando, para quem está continuando, para quem está terminando. E, se me escreverem e quiserem, trocaremos mais ideias. Porque eu sou vampiro do novo. Não o novo cronológico, mas da juventude de espírito, astral e energia.

PS de Edison Martins – Obrigado pelo respeito, imparcialidade e admiração entre o jornalista Seabra Neto e a Martpet há mais de 20 anos. Obrigado à família Seabra Neto pela amizade e felicidade há mais de 20 anos, nos eventos e camarotes da vida.

Matéria original do Mercado No Ar.

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